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O que é o Grupo Reinserir na visão de quem frequenta?

Grupo Reinserir

Da primeira vez que ousei falar: “vou passar no psicólogo” ouvi logo em seguida o clássico: “aquele negócio de doido?“

E acho que essa foi a primeira dúvida que levei comigo.

Nas horas e horas do caminho da minha casa ao centro…

Será que eu to ficando doido?

As insanidades e loucuras sociais… “Porque nada faz sentido?”

Eu, um homem-menino, que pouco vivi, mas que já me carrego… tão sofrido…

Cheguei à Barão de Itapetininga.

Junto da minha ansiedade dramática,

Que me fez passar o filme da vida…

E o meu café da manhã,

Que ficou pálido vomitado no meio da via…

Subi as escadas…

Coração e estômago se misturavam na dança impiedosa da ansiedade,

Atônito, em meio ao colorido verde das plantinhas da parede,

Que contrastam com o véu cinza da cidade…

Sentei. Olhei. Acalmei.

Me integrei naquele espaço gentil…

Olhei pra moça à frente de mim e senti um turbilhão na garganta…

Pouco sabia sobre ela e ela menos ainda sobre mim…

Mas tudo foi tão natural!

Poder falar do que fui, do que sou e do que acho que serei.. sem ser entendido mal…

Saí mais leve!

Leve como a lágrima escorrendo do meu olho esquerdo….

Mas… que depois do turbilhão de pensamentos, me fez sorrir!

Pensei comigo mesmo…“Definitivamente é aqui!.”

E foi assim que conheci a reinserir!

Aí de mim… Mal sabia eu o que estava por vir…

A Pandemia puxou todo mundo pelo cabelo…

Deu uma rasteira de ficar sem saber pra onde ir,

Quer dizer… Não ir a lugar nenhum… #Ficaemcasa

Mas a casa se tornou o núcleo da existência e da sofrência…

Faculdade, trabalho, alguma espécie de lazer e até um pouquinho da clínica…

Foi um desafio grande começar o processo terapêutico no espaço virtual…

Marcado pelos: “Alô, Maju dá pra me ouvir???” e os “Desculpas por não ser pontual…”

Mas até que os dias de luta (e os poucos dias de glória) aceleram o processo de interagir…

Aaaaah… as emoções pandêmicas, expressadas pelos choros na terapias virtuais…

Mas, consoladas…

Por palavras de uma psicologia preocupada com as pessoas reais;

Humanizada, material e repleta de críticas estruturais!

Foi esse o espaço me oferecido

Um lugar de tanta identificação…

Um lugar da Naty postando tirinhas nas redes de montão…

Um espaço aberto, de conversas, desabafos, choros e paixão,

Das ansiedades antes da chamada e dos sorrisos antes de dormir,

Das trocas de sentimentos e admirações,

Que nem mesmo o intermédio frio dos pixels é capaz de obstruir…

E mesmo que virtual,

Esse é o lugar que posso me movimentar em meio à paralisia social,

É o espaço de me desconstruir…

Repensar masculinidade, afetividade, sexualidade e a capacidade de ouvir….

E o espaço de me construir!

Pensando em formas mais humanas e alternativas à tudo que está posto aí…

É um processo único.

o….

De se inserir… na clínica reinserir…